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| Sexta-feira , 03 de Outubro de 2008 |
Em farrapos
Dentes quebrados e cílios caídos. Pele sem água e veias deslavadas, sem ar. Rosto sem maçãs, perna sem batata, estômago com fome, sem sangue. Joelhos enferrujados, cotovelos doídos, unhas dos pés crescidas. Barba branca, pêlos no nariz, olheiras. Suvaco cabeludo, nó na garganta, boca seca, flacidez. Nudez sem vida, corpo sem calor. Coração petrificado, pulmão apodrecido, fígado inchado. Olho sem brilho, cabeça sem lembrança, testa enrugada, insônia. Mão sem aperto, lábio sem sorriso, intestino preso. Bexiga sem xixi, sem esperança, sem razão, sem nome, sem emoção, sem palavras, sem mulheres, sem nada. Copo sem cachaça.
Escrito por Juw. às 15h24
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| Sábado , 09 de Agosto de 2008 |
Anonimata
Ela odiava clichês. Tudo na sua vida era diferente. O que comia, vestia, pensava, valorizava, sentia, aspirava, falava. A mesmice não participava da vida dela e um dia diferente do outro era sua meta. Colecionava empregos, amigos, viagens, experiências de todos e mais variados tipos. Sim, pois para satisfazer essa incansável insatisfação com o que já existe era necessário fazer das tripas coração, ou seria deixar o coração em tripas, ou o coração sem tripas, coração? Ah, ela não ligava muito pra isso. Era uma menina moderna que julgava serem hipócritas as relações cuja base era a fidelidade, e preferia viver do seu jeitinho descompromissado com os homens. Uma noite negro, noutra japonês, indiano. O cardápio variado deixava suas noites mais saborosas. A maioria das pessoas não conseguia compreender este estilo de vida e criticava dizendo que tinha medo de se envolver, que fugia de seus complexos, que não conhecia o amor. E não é que era isso mesmo? De repente se viu usando o mesmo perfume e pensando no mesmo chucrute delicioso que havia comido duas semanas atrás. Difícil seria comê-lo novamente, pois não sabia nem o nome do prato, nem o telefone do restaurante, nada.
Escrito por Juw. às 19h31
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| Quarta-feira , 06 de Agosto de 2008 |
Urgente
O medo de sofrer antecipa uma dor descabida no auge da felicidade. É o traumatismo sentido ao longo dos anos, trauma crônico. Aguda é a lembrança do que nem se sabe e atrapalha o sono, embaça o fluxo da endorfina e, ao mesmo tempo, fortalece, conforma: um verdadeiro contrasenso! A segurança da couraça podre alivia o coração desalmado, mas também mascara o mal estar da inexperiência, do despreparo, do rancor de si mesmo. Não se engane. Não fuja mais. Vista estes óculos e vá pra terapia.
Escrito por Juw. às 08h57
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| Quinta-feira , 31 de Julho de 2008 |
Colírio vazio
Olhava, olhava pra mim com aquele ar de quem está olhando através, sem foco, sem brilho, sem vida. Falava como se nada o impactasse; como se um carinho e um estupro fossem a mesma coisa; como se não beber água não provocasse sede. Não ria, não sonhava, não sentia. Adormeceu de olhos abertos e pupilas dilatadas aos 30 e vegetou, congelou, desligou, acabou alguns anos depois. Foi uma droga de vida. Foi uma droga pesada. Foi uma droga cara. Custou minha infelicidade que padece aqui, de olhos fechados para uma realidade dura, áspera, crua. A carne viva do remorso, do consciente atrasado, da impotência diante dos erros. Podia me entorpecer também, mas não mereço...
Escrito por Juw. às 08h30
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| Sexta-feira , 25 de Julho de 2008 |
Ninguém segura
Ele foge
Faz amadurecer
Sofrer
Viver
Sonhar
Rever
Pensar
Renascer
Amar
Padecer
Tem vezes que se perde
O importante é aproveitar
Pode valer o sentido
Ou uma simples lembrança que não será esquecida
E nesse cronômetro incessante
É bom sempre lembrar que ele não para
O tempo não volta
Escrito por Juw. às 13h41
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| Segunda-feira , 14 de Julho de 2008 |
A menina mais velha
O que importa mesmo é o pretexto. Brindar a maturidade dos anos vividos; ser bajulado com beijinhos e carinhos; tomar uma grande e esquecer da lei seca; reunir os amigos; faltar o trabalho; fazer uma viagem; estourar o cartão de crédito; escolher onde quer jantar; receber flores e café na cama; ganhar presentes; fazer o que quiser por um dia, um único dia no ano. O dia do aniversário geralmente é assim. Geralmente, pois há quem se deprima, esconda, finja que não envelheceu, ou melhor, não nasceu. Como também há quem não tenha este pretexto almejado por não saber nem mesmo quantos anos tem. Mas, como hoje é dia de comemoração para ela, vamos esquecer os fatos tristes! A menina-cabeça-de-liquidificador está fazendo dois aninhos hoje e gostaria de dizer o quanto está feliz em poder compartilhar seus momentos, alegrias, dúvidas, tristezas, devaneios, surpresas, amores, sua vida! E dizer-lhes o quanto são importantes para que o motorzinho continue funcionando a cada rodela triturada de reciprocidade e carinho!
O que ela quer de presente?
- Uma vitamina liquidificada especialmente por você! Mãos à obra!
Escrito por Juw. às 08h20
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| Quarta-feira , 02 de Julho de 2008 |
Digo e repito
"Não existe a palavra cronológico no vocabulário da empatia e da admiração. São os momentos que contam o tempo que a gente sente".
Escrito por Juw. às 17h26
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Tocou
Falou
Ouviu e falou
Ouviu
Falou e ouviu
Falou
Sorriu
Ouviu e sorriu
Falou
Calou
Calou
Escrito por Juw. às 09h17
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| Segunda-feira , 30 de Junho de 2008 |
Dia-a-dia
A gente faz. Faz de conta, faz de tudo, faz mais, faz menos, faz nada. A fase colabora e a gente dança. A gente sonha, ri, brinca, chora, sonha, sofre, morre pra viver. Cada pedaço sente, percebe, encanta, pensa, doa. O mundo conspira, transpira, respira e a gente vai. Chega, foge, corre, para, entrega. A vida delimita, vomita, grita. E a gente segue. O relógio marca e desmarca e a gente cumpre e descumpre. O dia traz luz, a cruz, o cuscuz e a gente come o que der, o que puder, o que quiser. Quero todo.
Escrito por Juw. às 09h56
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| Sábado , 28 de Junho de 2008 |
Desodorize-se
Não adianta ficar aí, parado. Ele não vai bater na sua porta, tampouco aparecer enquanto as energias negativas fluírem das suas axilas, pois ele sente. E digo mais: um banho não resolve a inhaca do desamor, nem mesmo o de sal grosso. Dizem que ele surge do nada, discordo. É a fluidez de um momento. Talvez o problema esteja na danada da idealização de eternidade, perfeição, uma verdadeira caricatura do que seria certamente muito chato. E a angústia de nunca tê-lo sentido é uma venda pra quem não percebe que, muitas vezes, ele se confunde com um sorriso. Pra viver um grande amor é preciso esquecer o tempo, os preconceitos, os métodos, os complexos e as expectativas. É preciso se abrir, se expor, se entregar. Tem que se libertar do medo de sofrer e aprender que a dor é nada e que amanhã não sei, nem quero saber, na verdade.Tem que saber fechar os olhos e divagar, sem pressa...
Escrito por Juw. às 09h48
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Neurônios felizes
O engrama de um momento especial não enferruja nem curto-circuita. É acionado a cada sim da lembrança. O sim é o ápice, a sinapse que faz o coração sambar ao som e enredo vivo da felicidade...
Escrito por Juw. às 09h45
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| Segunda-feira , 23 de Junho de 2008 |
Bucho à moda junina
Tem gente que passa dois dias na cozinha tirando o fedor, lavando, fervendo, cortando, bota pra lá, bota pra cá o tal bucho pra fazer aquela buchada “diliciosa” que só vai fazer crescer o bucho de quem se atrever a comer. Ah, cresce! Mas é só esperar o São João chegar que o rala bucho, ou melhor, rela bucho se for bem reladinho mesmo, baixa o bucho de qualquer caboclo, principalmente o dos sonhadores, aqueles que perdem o bucho da buchada e ganham o dobro com a cervejinha gelada e pra ficar mais charmoso, colocam o bucho pra fora na hora do calor pra levar um ventinho. Pensando nisso, pela quantidade de buchos cabeludos à mostra neste São João, vou lançar aqui em primeira mão a dica do sucesso do próximo: blusas com abertura central estrategicamente posicionada para o bucho inchado respirar sossegado, você vai se apaixonar! Ta valendo tudo no São João, só não vale é pegar um bucho depois do rela-rela!!!!!!!

Escrito por Juw. às 18h24
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| Quarta-feira , 18 de Junho de 2008 |
A volta dos que não foram
Venho, por meio desta, compartilhar a falta que faz a atualização desta peste bubônica, ou melhor, blogônica. Alguém vai dizer que é puro descaso, respeito. Porém, antes, gostaria de me explicar, pois é mesmo uma situação polêmica. Poderia colocar a culpa na Mônica, ou na Verônica, mas prefiro pensar que é uma questão mais de mecânica. Esta confusão é compreendida através da logística de quem passou por uma fase de mudanças e numa trajetória quase supersônica, viu a vida cônica, comeu cebola hidropônica e fez do caos uma realidade, no mínimo, sinfônica. Uffa. Sim, mas como tudo isso não foi uma bomba atômica, pretendo terminar com esta dificuldade cômica de comunicação eletrônica. Como? É fácil! Se, de hoje para amanhã, eu não morrer de gripe pneumônica, se não cortarem minha linha telefônica, se não despencar minha situação econômica, se não morrer de vez a Floresta Amazônica, volto com todo prazer ao deleite da crônica.
Por ser a expressão da verdade,
firmo a presente declaração para que produza “aqueles” efeitos legais...
Recife, 18 de junho de 2008
Escrito por Juw. às 23h22
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| Quarta-feira , 30 de Abril de 2008 |
Quando rir é a única saída
Dois homens, uma toalha branca, três pratos de canja, uma cerveja, um restaurante vazio, duas mulheres, uma mosca e nenhum casal.
Este foi o cenário avistado por um dos protagonistas ao final do alcoolismo. Passados alguns minutos de sobriedade, perguntas ensandecidas saltaram da sua cabeça, perguntas um tanto óbvias para quem estava assistindo na platéia, perguntas sem resposta, apenas perguntas de desespero: “por que tomei canja?”, “que horas são?”, “quem é esse?”, “sou um osso?”. E a vontade de estar num quarto escurinho foi tomando conta dela, ou seria dele? A angústia deu lugar às gargalhadas. Era um misto de nervosismo com prazer, o prazer da descoberta de que tudo se tratava de um filme de comédia. A história se passava num bar em que duas moças bêbadas e uma mosca enfeitiçada se percebiam na companhia de dois desconhecidos. Uma das moças era a sádica. Avistou uma presa fácil e logo incorporou seu papel de psicanalista, fazendo seu “cliente” expor suas fantasias como se o público fosse o grupo da terapia. O desajustado tinha o hábito de confundir qualquer cadeira com um divã e discursava sobre sua vida cruel, traições, medos, frustrações, sexo e matava de rir os espectadores com aquelas caricaturas de um homem derrotado e o outro reproduzia seu instinto canino, confundindo a moça magra ao seu lado com um saco de ossos deliciosos, os quais arrancavam-lhe lambidas e mais lambidas. Este era o que tomava cerveja. E agora estão se perguntando sobre a mosca, né? Restaurante vazio, bêbados, canja, cachorro...o que está faltando? Pois é! A mosca é parte integrante deste cenário.
Escrito por Juw. às 18h14
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Cantada do hipocondríaco
“Que remédio você toma para ficar assim tão bonita?”
Escrito por Juw. às 17h30
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