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| Segunda-feira , 20 de Abril de 2009 |
Cada amor, um canto
A impressão é que tudo o que se fala sobre o amor já foi dito. Os sentimentos se parecem e se confundem. A gente ouve pessoas dizendo que já viveram o que sentimos. Mas, se sempre que nos apaixonamos é diferente, como pode ser igual em outras pessoas? É só impressão. O significado de um olhar, um beijo, um carinho, uma lágrima desperta sensações diferentes, sempre diferentes, hoje e amanhã. O amor pra mim agora é azul clarinho e tem música embalada por suspiros e chocolate. Pela manhã, ele tem fome e saudade e, quando chove, parece que fica maior. Tem horas que dá vontade de chorar de feliz, mas também há momentos em que o medo atrapalha um pouco. Surpreendo-me rindo sozinha quando estou longe e ele fica mais perto do que se realmente estivesse. É mágico, é grande e inexplicável. E são as oscilações dos encantos que dão o rítimo e fazem ressurgir um sentimento novo todos os dias, pra sempre.
Escrito por Juw. às 00h08
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| Sábado , 28 de Março de 2009 |
As brasas sem brisa e o gelo
Um calor daqueles de esquentar os miolos. Vontade de tirar a roupa, chorar, mergulhar no gelado, ligar o ar condicionado em pleno céu aberto. Uma loucura, desespero sem solução. Pessoas suadas, irritadas, cansadas, vermelhas, feias e fedorentas tomaram conta da cidade. O asfalto rachado evaporava o odor dos pneus queimados, dos pés descalços, do lixo azedo, do mamão estragado, do sangue do rapaz que foi atropelado e perdeu a vida queimando. E, no meio da crise, o surto foi inevitável. Ouviu-se um grito de longe vindo do céu. A bomba explodiu e a chuva de pedras geladas começou para arrasar os calorosos ardidos, que tiveram as costas queimadas chicoteadas com gelo, as cabeças apedrejadas e os pés massacrados de dor. Um senhor, que avistava a dança de longe, com a janela fechada e o ar ligado, sorriu. Sorriu e enxergou uma natureza adolescente, exagerada, imatura e dramática. Apontou para o buraco situado bem mais embaixo, muito mais embaixo do que eles podiam ver. Ainda não estava na hora.
Escrito por Juw. às 14h45
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| Sexta-feira , 16 de Janeiro de 2009 |
Sobre panelas e tampas
Quando a panela perde a tampa o refogado fica sem gosto, a água que escorre evapora rápido, seca, queima e dói. O brilho de antes fica opaco, feio e triste, mas é assim mesmo. Acontece também da frigideira derreter o cabo, da cumbuca ficar sem colher, da xícara ter seu pires tão amado quebrado. E no meio desses desastrosos acontecimentos inusitados da vida, você acha que nunca mais fará aquele temperinho gostoso, que tudo o mais será desgosto. Doce engano! É a partir daí que a pessoa descobre que o angu é que andava sem graça e que ninguém aguentava mais olhar pra cara daquele pires cafona! Chegou a hora de renovar, de reenergizar, de escolher colheres mais modernas, de experimentar receitas diferentes em outras panelas e de inventar jeitos novos de colocar muita água nessa boca! Adeus panela velha!
Escrito por Juw. às 20h53
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| Quinta-feira , 08 de Janeiro de 2009 |
Meu Beabá
Muito prazer, sou a menina que sente coisas. E o que me traz aqui novamente é a saudade, sempre tão presente em meus dizeres. Sinto falta do cheiro das palavras engolidas e da brisa dos encontros, tais encontros com o mistério da exposição. Canso-me ao contar as horas longe de mim, pois quando não digo, não sou, não existo por um tempo. Ausente, fico aqui solitária lembrando da música que inspirava o desabafo e ao escutar novamente, desabafo agora. Grito e faço você enxergar meu texto, meu amor, meu terror. Sinto as coisas mais inusitadas e redescubro um pouco de mim quando te vejo e se não te beijo, morro.
Escrito por Juw. às 12h19
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| Sexta-feira , 03 de Outubro de 2008 |
Em farrapos
Dentes quebrados e cílios caídos. Pele sem água e veias deslavadas, sem ar. Rosto sem maçãs, perna sem batata, estômago com fome, sem sangue. Joelhos enferrujados, cotovelos doídos, unhas dos pés crescidas. Barba branca, pêlos no nariz, olheiras. Suvaco cabeludo, nó na garganta, boca seca, flacidez. Nudez sem vida, corpo sem calor. Coração petrificado, pulmão apodrecido, fígado inchado. Olho sem brilho, cabeça sem lembrança, testa enrugada, insônia. Mão sem aperto, lábio sem sorriso, intestino preso. Bexiga sem xixi, sem esperança, sem razão, sem nome, sem emoção, sem palavras, sem mulheres, sem nada. Copo sem cachaça.
Escrito por Juw. às 15h24
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| Sábado , 09 de Agosto de 2008 |
Anonimata
Ela odiava clichês. Tudo na sua vida era diferente. O que comia, vestia, pensava, valorizava, sentia, aspirava, falava. A mesmice não participava da vida dela e um dia diferente do outro era sua meta. Colecionava empregos, amigos, viagens, experiências de todos e mais variados tipos. Sim, pois para satisfazer essa incansável insatisfação com o que já existe era necessário fazer das tripas coração, ou seria deixar o coração em tripas, ou o coração sem tripas, coração? Ah, ela não ligava muito pra isso. Era uma menina moderna que julgava serem hipócritas as relações cuja base era a fidelidade, e preferia viver do seu jeitinho descompromissado com os homens. Uma noite negro, noutra japonês, indiano. O cardápio variado deixava suas noites mais saborosas. A maioria das pessoas não conseguia compreender este estilo de vida e criticava dizendo que tinha medo de se envolver, que fugia de seus complexos, que não conhecia o amor. E não é que era isso mesmo? De repente se viu usando o mesmo perfume e pensando no mesmo chucrute delicioso que havia comido duas semanas atrás. Difícil seria comê-lo novamente, pois não sabia nem o nome do prato, nem o telefone do restaurante, nada.
Escrito por Juw. às 19h31
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| Quarta-feira , 06 de Agosto de 2008 |
Urgente
O medo de sofrer antecipa uma dor descabida no auge da felicidade. É o traumatismo sentido ao longo dos anos, trauma crônico. Aguda é a lembrança do que nem se sabe e atrapalha o sono, embaça o fluxo da endorfina e, ao mesmo tempo, fortalece, conforma: um verdadeiro contrasenso! A segurança da couraça podre alivia o coração desalmado, mas também mascara o mal estar da inexperiência, do despreparo, do rancor de si mesmo. Não se engane. Não fuja mais. Vista estes óculos e vá pra terapia.
Escrito por Juw. às 08h57
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| Quinta-feira , 31 de Julho de 2008 |
Colírio vazio
Olhava, olhava pra mim com aquele ar de quem está olhando através, sem foco, sem brilho, sem vida. Falava como se nada o impactasse; como se um carinho e um estupro fossem a mesma coisa; como se não beber água não provocasse sede. Não ria, não sonhava, não sentia. Adormeceu de olhos abertos e pupilas dilatadas aos 30 e vegetou, congelou, desligou, acabou alguns anos depois. Foi uma droga de vida. Foi uma droga pesada. Foi uma droga cara. Custou minha infelicidade que padece aqui, de olhos fechados para uma realidade dura, áspera, crua. A carne viva do remorso, do consciente atrasado, da impotência diante dos erros. Podia me entorpecer também, mas não mereço...
Escrito por Juw. às 08h30
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| Sexta-feira , 25 de Julho de 2008 |
Ninguém segura
Ele foge
Faz amadurecer
Sofrer
Viver
Sonhar
Rever
Pensar
Renascer
Amar
Padecer
Tem vezes que se perde
O importante é aproveitar
Pode valer o sentido
Ou uma simples lembrança que não será esquecida
E nesse cronômetro incessante
É bom sempre lembrar que ele não para
O tempo não volta
Escrito por Juw. às 13h41
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| Segunda-feira , 14 de Julho de 2008 |
A menina mais velha
O que importa mesmo é o pretexto. Brindar a maturidade dos anos vividos; ser bajulado com beijinhos e carinhos; tomar uma grande e esquecer da lei seca; reunir os amigos; faltar o trabalho; fazer uma viagem; estourar o cartão de crédito; escolher onde quer jantar; receber flores e café na cama; ganhar presentes; fazer o que quiser por um dia, um único dia no ano. O dia do aniversário geralmente é assim. Geralmente, pois há quem se deprima, esconda, finja que não envelheceu, ou melhor, não nasceu. Como também há quem não tenha este pretexto almejado por não saber nem mesmo quantos anos tem. Mas, como hoje é dia de comemoração para ela, vamos esquecer os fatos tristes! A menina-cabeça-de-liquidificador está fazendo dois aninhos hoje e gostaria de dizer o quanto está feliz em poder compartilhar seus momentos, alegrias, dúvidas, tristezas, devaneios, surpresas, amores, sua vida! E dizer-lhes o quanto são importantes para que o motorzinho continue funcionando a cada rodela triturada de reciprocidade e carinho!
O que ela quer de presente?
- Uma vitamina liquidificada especialmente por você! Mãos à obra!
Escrito por Juw. às 08h20
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| Quarta-feira , 02 de Julho de 2008 |
Digo e repito
"Não existe a palavra cronológico no vocabulário da empatia e da admiração. São os momentos que contam o tempo que a gente sente".
Escrito por Juw. às 17h26
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Tocou
Falou
Ouviu e falou
Ouviu
Falou e ouviu
Falou
Sorriu
Ouviu e sorriu
Falou
Calou
Calou
Escrito por Juw. às 09h17
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| Segunda-feira , 30 de Junho de 2008 |
Dia-a-dia
A gente faz. Faz de conta, faz de tudo, faz mais, faz menos, faz nada. A fase colabora e a gente dança. A gente sonha, ri, brinca, chora, sonha, sofre, morre pra viver. Cada pedaço sente, percebe, encanta, pensa, doa. O mundo conspira, transpira, respira e a gente vai. Chega, foge, corre, para, entrega. A vida delimita, vomita, grita. E a gente segue. O relógio marca e desmarca e a gente cumpre e descumpre. O dia traz luz, a cruz, o cuscuz e a gente come o que der, o que puder, o que quiser. Quero todo.
Escrito por Juw. às 09h56
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| Sábado , 28 de Junho de 2008 |
Desodorize-se
Não adianta ficar aí, parado. Ele não vai bater na sua porta, tampouco aparecer enquanto as energias negativas fluírem das suas axilas, pois ele sente. E digo mais: um banho não resolve a inhaca do desamor, nem mesmo o de sal grosso. Dizem que ele surge do nada, discordo. É a fluidez de um momento. Talvez o problema esteja na danada da idealização de eternidade, perfeição, uma verdadeira caricatura do que seria certamente muito chato. E a angústia de nunca tê-lo sentido é uma venda pra quem não percebe que, muitas vezes, ele se confunde com um sorriso. Pra viver um grande amor é preciso esquecer o tempo, os preconceitos, os métodos, os complexos e as expectativas. É preciso se abrir, se expor, se entregar. Tem que se libertar do medo de sofrer e aprender que a dor é nada e que amanhã não sei, nem quero saber, na verdade.Tem que saber fechar os olhos e divagar, sem pressa...
Escrito por Juw. às 09h48
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Neurônios felizes
O engrama de um momento especial não enferruja nem curto-circuita. É acionado a cada sim da lembrança. O sim é o ápice, a sinapse que faz o coração sambar ao som e enredo vivo da felicidade...
Escrito por Juw. às 09h45
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